: NONA ENFERMARIA: CLÍNICA MÉDICA: Paralisia Facial

terça-feira, 28 de julho de 2009

Paralisia Facial

O Nervo Facial

É um nervo misto, apresentando uma raiz motora e outra sensorial gustatória. Emerge do sulco bulbo-pontino através de uma raiz motora, o nervo facial propriamente dito, e uma raiz sensitiva e visceral, o nervo intermédio. Junto com o nervo vestíbulo-coclear, os dois componentes do nervo facial penetram no meato acústico interno, no interior do qual o nervo intermédio perde a sua individualidade, formando-se assim, um tronco nervoso único que penetra no canal facial.
As duas raizes têm origem aparente no sulco pontino inferior e se dirigem paralelamente ao meato acústico interno onde penetram, junto com o nervo vestibulococlear.
No interior do meato acústico interno, os dois nervos (facial e intermédio) penetram num canal próprio escavado na parte petrosa do osso temporal, que é o canal facial.
As fibras motoras atravessam a glândula parótida atingindo a face, onde dão dois ramos iniciais: o temporo-facial e cérvico-facial, os quais se ramificam em leque para inervar todos os músculos cutâneos da cabeça e do pescoço.
Algumas fibras motoras vão ao músculo estilo-hióideo e ao ventre posterior do digástrico.
As fibras sensoriais (gustatórias) seguem um ramo do nervo facial que é a corda do tímpano, que vai se juntar ao nervo lingual (ramo mandibular, terceiro ramo do trigêmeo), para distribuir-se nos dois terços anteriores da língua.
O nervo facial apresenta ainda fibras vegetativas (parassimpáticas) que se utilizam do nervo intermédio e depois seguem pelo nervo petroso maior ou pela corda do tímpano (ambos ramos do nervo facial) para inervar as glândulas lacrimais, nasais e salivares (glândula sublingual e submandibular).

Semiologia do nervo facial

Parte motora
- avaliar a simetria face, através de manobras que testam a mímica facial, solicitando ao paciente para fechar os olhos, enrugar a testa, expor os dentes ( vide figura abaixo)


Parte sensitiva
-o nervo facial além da motricidade da face, é responsável pela sensação gustativa dos 2/3 anteriores da língua. A gustação é avaliada embebendo-se a ponta de um cotonete em soluções salgada, doce, amarga e azeda, uma por vez, tocando-se um dos lados da língua, na sua superfície papilar, aguardando-se de 10 a 15 segundos, até o paciente ter percepção do gosto da solução aplicada. Após isto, oferecemos um pouco de água para que o paciente faça a lavagem da boca , bochechando e desprezando o liquido da lavagem. Estes procedimentos são repetidos, alternando-se o lado testado, com todas as soluções.

Obs: As fibras vegetativas (parassimpáticas) que inervam as glândulas lacrimais, nasais e salivares (glândula sublingual e submandibular), quando comprometidas podem gerar ressecamento das mucosas citadas.

Paralisia facial periférica e central

Quando há paralisia do nervo facial, a hemiface comprometida apresentará:
- dificuldade ou impossibilidade do fechamento da pálpebra( músculo orbicular das pálpebras), esta permanecerá aberta e o globo ocular fará, reflexivamente, um giro para cima (sinal de Bell).



- o sulco naso-labial diminui ou apaga-se no lado lesado.
- pode haver corrimento de saliva pelo lado lesado.
- a comissura labial e o sulco naso-labial são desviados para o lado sadio.
- o paciente tem dificuldade em assobiar ou soprar.

O comprometimento de toda a musculatura mímica facial unilateral esta alterada nas lesões que ocorrem no núcleo ou abaixo dele, e denominada de paralisia facial periférica.
Quando a lesão causal ocorre acima do núcleo, o comprometimento manifesto da mímica se dará no andar inferior da face(abaixo do olho), neste caso denominada de paralisia facial central. Etiologia:
  • paralisia facial central

- tumores cerebrais e acidentes vasculares cerebrais.

  • paralisia facial periférica

- lesão pontina (tumor, esclerose múltipla, polioencefalite), compressão craniana (neurinoma do acústico, aneurisma da artéria basilar), lesão no temporal (fratura do rochedo, otite e mastoidite) paralisia de Bell (ou a frigore- etiologia obscura), Herpes Zoster (síndrome de Ramsay-Hunt = paralisia facial grave + erupção vesicular dolorosa no meato auditivo externo + zumbidos ou vertigem por comprometimento do 8º par), lesão dos ramos periféricos extracranianos (traumas da mandíbula e parótida, tumores da parótida, tétano, leucemia aguda); doenças musculares (miastenia grave, polimiosite, distrofia heredofamiliar miotônica),etc.

Autor: Professor Eraldo dos Santos, Docente da Cadeira de Semiologia, Departamento de Clinica Médica da FTESM.

3 comentários:

  1. Muito bem explicado, apesar dos muitos termos técnicos, deu pra entender bem. Parabéns!

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